Na sexta-feira, 22, o editor de Política de “O Globo”, Thiago Prado, escreveu um dos melhores artigos da semana, sob o título de “Jogo político: como a equação para sanar o rombo bilionário no bando de Edir Macedo se reflete na corrida ao Planalto”.

Thiago Prado diz que, no momento, o partido Republicanos, controlado pela Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, finge indecisão e não declara apoio nem a Flávio Bolsonaro, do PL, o nome da direita, nem ao presidente Lula da Silva, do PT, o nome da esquerda. Ambos são pré-candidatos a presidente da República.

A rigor, o Republicanos está mesmo hesitante? Não é bem assim. Na verdade, de matriz evangélica, o partido prefere Flávio Bolsonaro. Mas, colocando seus negócios à frente da ideologia, manifesta-se como “neutro”. De repente, pode apoiar Lula da Silva, ainda mais se crescer a possibilidade de o presidente ser reeleito no primeiro turno.

Mas o que realmente está “pegando”, por assim dizer?

“A cúpula” do Republicanos “está focada em salvar o Digimais — o banco controlado pelo bispo Edir Macedo com rombo estimado em R$ 8,5 bilhões —, e talvez a neutralidade seja o melhor caminho para que o objetivo seja alcançado”.

André Esteves: chefão do BTG Pactual quer salvar o Banco Digimais com dinheiro do FGC | Foto: Reprodução

O presidente do Republicanos, o bispo e deputado federal Marcos Pereira, tem concedido entrevistas informando que poderá não apoiar Flávio Bolsonaro. À revista “Veja” chegou a defender o Supremo Tribunal Federal.

O BTG Pactual, do indefectível André Esteves, planeja “salvar” o Digimais. Mas, para tanto, “previa o aporte de 7 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito”.

O FGC é privado, mas, entre seus membros, estão dois bancos públicos — a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “Há casos em que a palavra do governo vale ainda mais para colocar de pé as operações do fundo”, ressalta Thiago Prado.

A operação para “salvar” o Digimais — que corre o risco de se tornar o novo Banco Master — esbarra em vários problemas. Thiago Prado nota que há “suspeitas de operações fraudulentas”.

Daniel Vorcaro foto Divulgação
Daniel Vorcaro: o banqueiro que quebrou o Banco Master | Foto: Divulgação

“A revista ‘Piauí’ revelou um modus operandi fraudulento do Digimais semelhante ao do master”, sublinha Thiago Prado. A 13ª Vara de São Paulo está examinando uma ação proposta pelo fundo EXP1, “que acusa o banco da Universal de vender 650 milhões de reais em carteiras de crédito falsas”.

Já “O Estado de S. Paulo” denunciou, no registro de Thiago Prado, “que há repasses de carteiras do Digimais para outras instituições com cerca de 60% de inadimplência”.

O FGC resiste à negociação formulada pelo Digimais, o banco da Universal, com o BTG — espécie de negócio de avô para neto.

Prevendo o pior, ou seja, que o Digimais poderá se tornar o Banco Master dos evangélicos, Edir Macedo se diz “disposto a fazer ele próprio um aporte de 1,5 bilhão de reais no banco”. O que é claramente insuficiente para salvar a instituição financeira.